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IMC em Mulheres Jovens e Risco de Cardiomiopatia. Acompanhamento de longo prazo na Suécia

Revisor:

  • Ariane Vieira Scarlatelli Macedo - Santa Casa de São Paulo

Fundamentação: As cardiomiopatias (CMP) são uma causa comum de insuficiência cardíaca em indivíduos jovens, com um aumento de sua incidência nas últimas décadas. Os fatores de risco para o desenvolvimento da disfunção ventricular em jovens não estão totalmente esclarecidos, principalmente entre as mulheres. Uma associação entre peso corporal na adolescência e CMP futura entre homens foi identificada recentemente2. Não se sabe se esta mesma associação é encontrada em indivíduos do sexo feminino. O objetivo deste estudo foi determinar se mulheres jovens com sobrepeso ou obesidade apresentariam um maior risco de desenvolver CMP no futuro.


Metodologia: Coorte prospectiva nacional baseada no banco de dados da Suécia. Para estudar o risco em longo prazo de desenvolver tipos específicos de CMP (excluindo as CMP relacionadas à gravidez) em jovens mulheres, de acordo com as categorias de índice de massa corporal (IMC) IMC foi utilizado o Registro Médico de Nascimento, que contém informação materna de 99% dos partos realizados na Suécia, abrangendo 85% da população feminina sueca. Os dados foram coletados de 1982 até 2014, com até 33 anos de acompanhamento. As mulheres incluídas eram as de idade fértil (18 a 45 anos) que fizeram a visita pré-natal inicial em suas primeiras ou segundas gravidezes (n= 1.393.346). Os autores obtiveram dados basais quanto ao IMC, tabagismo, nível de educação e doenças prévias. A amostra final foi composta por 1.388.571 mulheres. Foram identificados casos de CMP vinculando o registro nacional de nascimento aos códigos de diagnóstico das visitas ou alta hospitalar no registro nacional de pacientes e mortes por causas específicas relatadas no registro nacional de óbito.

Principais resultados: No total, 1.699 casos de cardiomiopatia (idade média no diagnóstico, 46,2 ± 9,1 anos) durante o seguimento, com incidência de 5,9 por 100.000 anos de observação. Destas, 481 foram diagnosticadas com CMP dilatada, 246 com CMP hipertrófica, 61 com CMP induzida por álcool e/ou drogas e 509 por outras formas. O menor risco de CMP foi detectado nas mulheres com um IMC de 21 kg /m2, com um aumento gradual do risco com maior IMC. Este risco foi particularmente maior em indivíduos com obesidade grave (IMC ≥35 kg /m2), em comparação com o IMC 20 a 22,5, onde a taxa de risco para desenvolvimento de CMP dilatada foi muito maior (4,71- IC 95%, 2,81–7,89).

Conclusões: O IMC elevado entre mulheres jovens foi associado a um risco aumentado de CMP subsequente, especialmente CMP dilatada. O aumento do risco se inicia já na paciente com sobrepeso, enquanto a obesidade grave implicou um aumento de quase cinco vezes no risco. Com o crescente número de pessoas com sobrepeso ou obesidade, taxas mais elevadas de CMP podem ser esperadas no futuro.

Impacto Clínico na Opinião do Revisor: Estes resultados enfatizam a importância de prevenir sobrepeso e obesidade em jovens para proteger remodelação cardíaca futura, independentemente do desenvolvimento de doença cardíaca isquêmica. A associação entre IMC elevado e CMP pode se dever à remodelação do miocárdio em obesos, como já foi mostrado previamente em um estudo em mulheres jovens saudáveis 3 . Estes dados podem indicar um início precoce de alterações potencialmente adversas no miocárdio relacionado à obesidade mesmo em pacientes jovens.


Outro possível mecanismo é aumento da secreção de substâncias derivadas dos adipócitos como leptina, neprilisina e aldosterona. Acredita-se que estas substâncias possam promover um estado pró-inflamatório, que pode levar a fibrose cardíaca e anormalidades microvasculares. Sabemos que há evidências crescentes sugerindo que a inflamação sistêmica possa desempenhar um papel importante na patogênese da insuficiência cardíaca. A fisiopatologia da CMP relacionada à obesidade não é totalmente compreendida, mas parece ser multifatorial e devida a uma interação entre aumento da carga hemodinâmica, desregulação neuro-hormonal, inflamação e lipotoxicidade entre outros.


O presente estudo reforça a importância de medidas preventivas contra a obesidade que devem ser implementadas desde a infância especialmente em mulheres.

Referência:

  1. Robertson J, Lindgren M, Schaufelberger M, Adiels M, Björck L, Lundberg CE, Sattar N, Rosengren A, Åberg M. Body Mass Index in Young Women and Risk of Cardiomyopathy: A Long-Term Follow-Up Study in Sweden. Circulation. 2020;141:520–529.

  2. Robertson J, Schaufelberger M, Lindgren M, Adiels M, Schiöler L, Torén K, McMurray J, Sattar N, Åberg M, Rosengren A. Higher body mass index in adolescence predicts cardiomyopathy risk in midlife. Circulation. 2019;140:117–125

  3. Peterson LR, Waggoner AD, Schechtman KB, Meyer T, Gropler RJ, Barzilai B, Dávila-Román VG. Alterations in left ventricular structure and function in young healthy obese women: assessment by echocardiography and tissue Doppler imaging. J Am Coll Cardiol. 2004;43:1399–1404.

#insuficiencia_cardiaca

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